Terça-feira, 15 de Maio de 2012
sinto as palavras a transpirar,
e o fugir da minha mente
sem fundo, a nadar
como da boca dum tubarão,
o meu corpo a inspirar o medo
do escuro clarão,
molho a ponta do dedo
e viro os dias delicadamente
neste meu livro
sem fim
onde crivo
para mim...
Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 22:30
(Alijó, 19 de Março de 2011)

Pai
Que te trago dentro de mim,
Pai
Que que te quero até ao fim,
Pai
Que a sorrir me dizes sim,
Pai
Que me estendes a mão,
Pai
Que a sorrir me dizes não
Quando tem de ser assim!
Pai,
Lembro-me da minha mão na tua
E da segurança do apertão profundo,
Pai
Que me atravessas na rua,
E do perigo me desvias,
Pai
Que me orientas neste mundo
Todas as noites, todos os dias...
Pai
Sem ti, nem sei o que seria
O meu umbigo,
Pai
Sei que te amo,
Pai,
Desculpa por que nem sempre to digo....

Obrigado Pai

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:33
Tenho um bolsa forrada,
Como te tenho a ti,
Uma bolsa que aconchega as letras
Suspensa no sabor do vento que amealhei
Pelo teu perfume,
Com a velocidade das setas
De um ciúme,
Dos momentos que falhei,
Dos outros momentos que venci
Tenho uma bolsa bordada
Pelo teu sol e pelo teu ar
Presa na cintura da minha mão,
Como tu, pronta a desabrochar
Nua, nua sem capa
Como tu, amor semeado neste chão
Nu, nu que me escapa...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:33
Um pé no chão
Que parece fugir,
A cabeça na cama
Ainda a dormir,
Parto
Num dia cinzento
Ainda por abrir
Como pensamento
Farto,
Colo o olhar na paisagem
As árvores acenam ao longe
Despertam a imagem
Do adormecido monge
Que sonha na serra,
Outro pé no chão
Mesmo sem querer
Arrasto a terra
Como um fruto são
Que alguém há de querer...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:31
Sei o que queres ouvir
É aquela música que rivaliza com o vento
Na golfada e no tom a subir
Que toca felicade e alento,
Sei o que queres ouvir
É aquela letra do poeta que canta
A tristeza a sorrir,
Sei o que queres ouvir
É aquela voz a sussurar
Como caule de flor a partir
Que tomba aroma de amar
Com curva sem fim,
Sei o que queres ouvir.
A mim
Basta-me escutar o teu ouvir...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:31
Porque não sinto o amor
Se ele é mesmo um sentimento?
Porque não sinto o sentimento
Se ele é mesmo um amor?
Porque um amor sem sentido
É um amor consentido,
Porque um amor com sentido
É um sentimento sem sentido ...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:30
Não me apetece escrever
E é isso que estou a fazer?
Serão os meus dedos inconscientes
E os meus neurónios dementes?
Então porque escrevo
Se escrever não me apetece?
A mim nada devo
A Deus pago com uma prece!
Não me apetece escrever
Então porque escrevo?
Será a minha forma de viver?
Não sei, será que morrerei?
Ou a fé na folha de trevo
Pela sorte que sempre ansiei?
Escreverei o que deva!
Ah! Não me apetece escrever
O que outros querem que eu escreva!
Assim me continuarei a atrever...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:28
A liberdade é muito mais que um conceito filosófico, mais do que ser pensada, deve ser vivida em conformidade com a complexidade da vida e não com a obstinação de a narrar com a simplicidade de um pensamento!
Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:28
Encosto a cabeça ao ar
Pressiono como na areia
A força do vento em fogo,
Um sonho de trincar
Enrola o tempo que afogo
No céu
Salvo por uma sereia
Que me bebeu,
Que não me deixa acordar...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:25
Douro

Não estou todo certo
Se esta terra é mesmo minha
Não estou!
Se dela me considera,
Ou sequer quem sou!
Se me sito longe ou perto
Da quimera,
Se a minha vida vive ou definha...
Estou todo certo sim
Que afastado ou à beira
Chegarei nesta terra até ao fim
Pelo princípio que ela queira...

Jorge Carvalho


publicado por Jorge Carvalho às 21:25
Quem alguma vez foi torturado (...) normalmente resiste a falar do assunto por uma questão de elementar pudor, mas não se cala na hora de denunciar essa chaga do comportamento humano e os canalhas que levam à sua prática. Luís Sepúlveda
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