Dadas as condicionantes da crise mundial, aceitamos hoje como normal a adversidade das autarquias em aforrar dinheiro, a exemplo de outras situações, temos tendência para responsabilizar a crise em vez dos gestores públicos.
Tão espontâneo quanto a inegável insuficiência de receitas e verbas são os consequentes desperdícios extemporâneos e inadmissíveis efectuados continuamente, talvez isso explique a dificuldade em acreditar que os esforços hercúleos que cada um de nós – munícipes contribuintes – faz diariamente servirão para apresentar resultados objectivamente positivos na globalidade do bem estar de todos! Os atropelos a olho nu que correm por múltiplas freguesias e concelhos são tantos que até o descaramento opaco acaba por ser aceite como razão natural!
Os autarcas de Alijó, nos últimos anos, disciplinaram os seus seguidores para aceitarem como vulgar o desbaratar dos dinheiros públicos em criação de cargos, palanques, paparocas de luxo, peregrinações, comícios, navegações, exibição de histórias e promulgação de notícias. Desgraçados os que tentem enfrentar esta desgostosa realidade!
Delicado de entender é o facto de haver dinheiro para estafar em futilidades e escassear noutras certezas de urgência imperativa. Para os mais atentos, esta convicção torna-se uma contrariedade para confiar nas vozes de alguns desses autarcas que gritam descomplexadamente pela defesa da região reconhecida como Património da Humanidade. Toda este território duriense é detentor de rara beleza, mas também de uma impressionabilidade de exemplos nobres que extravasam a consciência de muitos dos políticos! O Douro Património abraça a terra no seu todo, agarra as pessoas sem distinções e acciona a fertilidade comum.
Neste último verão denunciei a insolência com que o executivo alijoense ignorava o estado deplorável da estrada camarária que liga Soutelinho – Ponte do Rio Pinhão (Cheires)! Voltei a fazê-lo, numa perspectiva de consciencialização, na altura das vindimas por razões óbvias! Ninguém aglutinou a protecção da estrada muito menos o amparo dos agricultores e os buracos no alcatrão transformaram-se em autênticas crateras! Como se toda esta indiferença e desfaçatez fossem pouco, confrontamo-nos agora com a situação do gelo que congela o alcatrão sem que seja acompanhado com a aplicação do respectivo sal protector, o que torna ainda mais perigoso este trajecto completamente furado.
Parece que aterramos na cintura da Lua com a sombra do edil de Alijó, um dos políticos que mais disserta sobre a defesa e promoção do Turismo no Alto Douro. Terá este chefe do executivo percepção dos movimentos pendulares de automóveis que transitam por esta estrada que é também ela detentora de uma das mais belas paisagens durienses? Terá o executivo municipal noção exacta sobre a importância que este caminho tem para quem a trilha diariamente? Não é apenas uma questão de estética ou de prejuízos materiais, é igualmente uma questão de segurança que deveria preocupar os políticos conscientes e consciencializados.
Independentemente das respostas, é absolutamente insuportável a condição de abandono a que ofereceram esta via de comunicação que aproxima os concelhos de Alijó e Sabrosa!
Se há dinheiro para futilidades, poupem-no para as verdadeiras necessidades, como é o caso desta estrada que precisa urgentemente de ser reparada e amparada.
Jorge Carvalho
Publicado em:
A Voz de Trás os Montes na edição de 05 de Janeiro de 2012.
Notícias do Douro na edição de 06 de Janeiro de 2012.
